sobre a peça Negrinha monólogo criado por Sara Antunes dirigido por Luiz Fernando Marques e com arte e figurino Renato Bolelli Rebouças

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

NEGRINHA MACEIO

http://www.tjal.jus.br/portal/index.php?pag=verNoticia&noticia=2802

Espetáculo “Negrinha” é aplaudido de pé em sua estreia em Alagoas
Última exibição da peça no Estado acontece hoje (26), às 20h, na Escola da Superior Magistratura

A primeira encenação do espetáculo “Negrinha”, apresentado no Café Literário Marili Ramos, nesta terça-feira (25), na Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal), foi considerado sucesso pelo público, que lotou o espaço e aplaudiu de pé a personagem que dá nome ao monólogo e é vivida pela atriz Sara Antunes. A atração é mais uma atividade do projeto Esmal Cultural e será exibida pela última vez em Alagoas, às 20h desta quarta-feira (26).

Para a protagonista Sara Antunes, escrever e dar vida a uma personagem que retrata uma realidade tão dolorosa é emocionante e enriquecedor. “Eu represento aqui todas as crianças que são privadas de sonhar e de viver com dignidade, independentemente da cor da pele ou de qualquer outro tipo de preconceito”, explicou. A personagem Negrinha é inspirada no conto homônimo de Monteiro Lobato.

A desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento, presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) e uma das responsáveis por incluir Maceió entre as cidades que receberiam a atração, prestigiou o evento. “É indescritível a emoção de assistir nesse espaço a um pouco da nossa história. Nosso chão alagoano também foi muito marcado pela escravidão” disse a magistrada. Além dela, o desembargador Alcides Gusmão da Silva também esteve presente no espetáculo.

No ritmo do coco de roda alagoano

Com poesias musicadas no pandeiro e inspiradas pelo ritmo do Coco de roda alagoano, a dupla de intérpretes Rogério Dias e Fagner Dubrown abriu a noite. Além de composições próprias, a dupla musicou também a poesia Nêga Fulô, do artista alagoano Jorge de Lima.

Em seguida, os espectadores "mergulharam" na história de “Negrinha”. Em um cenário que lembra uma casa antiga de senhor de engenho, efeitos que atravessam luz e trevas apenas com a claridade das velas e utilizando aromas de ervas, o monólogo convida o espectador a experimentar uma viagem pelo tempo. O ambiente, a casa grande de um engenho de açúcar. A personagem, uma criança negra que é encantada pelas cores, em especial pelas cores das pessoas.

Segundo Sara Antunes, muitos espectadores se chocam, no início, por ver uma atriz branca vivendo um papel de negra. Para ela, a peça é um convite a reflexão sobre a exclusão social e o preconceito racial. “É importante que as pessoas pensem em qual história devemos escrever na vida. Essa conta uma que aconteceu no passado, mas será que ela não se reproduz mais nos dias de hoje?”, indagou Sara Antunes.

Origem da encenação

A peça foi criada em 2007 e trata a escravidão e a abolição pela perspectiva de uma criança sem nome, futuro ou esperança. Dirigida por Luiz Fernando Marques, com direção de arte de Renato Bolelli Rebouças e coordenação de Paulo Mattos, esse espetáculo já percorreu diversos estados brasileiros, a exemplo de Rio de Janeiro e São Paulo. Atualmente, faz uma turnê pela região Nordeste, apoiado pela Petrobras.


Nenhum comentário:

Postar um comentário